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Sexo, gênero, sexualidade...


Preparei alguns conceitos básicos para quem quer ficar por dentro do comportamento humano quanto a sexo, gênero e orientação sexual. Confira a seguir.

A diferença entre sexo e gênero.
O sexo refere-se aos atributos biológicos do ser humano. Jesus (2012) explica que, para a ciência biológica, o que determina o sexo de uma pessoa é o tamanho das suas células reprodutivas (pequenas: espermatozóides, logo, macho; grandes: óvulos, logo, fêmea), e só.
Já o gênero está relacionado ao comportamento do indivíduo, podendo ser um comportamento mais masculino ou mais feminino. O sujeito comporta-se da maneira que ele se identifica, portanto, gênero é a identidade pessoal e social de cada um. É a autopercepção.
O sexo por si só não define o gênero de alguém. Uma pessoa pode ter cromossomo, nível hormonal, aparelho reprodutor e genital respectivos do macho, mas, reconhecer-se e comportar-se femininamente. Essa pessoa é do sexo masculino e gênero feminino.

Gênero e suas diversidades.
De acordo com a explicação de Jesus (2012), todos os seres humanos podem ser enquadrados em cisgênero ou transgênero. Cisgênero, ou de “cis”, são as pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído quando ao nascimento. P. ex.: meu sexo é o feminino e me identifico feminina, portanto, sou cis. Denominamos as pessoas não-cisgênero, as que não são identificam com o gênero que lhes foi determinado, como transgênero, ou trans.
Dentre as possibilidades de gênero, estão as travestis, que são as pessoas que vivenciam papéis de gênero feminino, mas não se reconhecem como homem ou mulher, entendendo-se como integrantes de um terceiro gênero ou de um não-gênero.
Por se tratar de questão de identidade pessoal, as pessoas devem ser tratadas de acordo com o gênero com a qual elas se identificam, como no caso acima: “as travestis” e nunca “os travestis”.

Orientação sexual
A orientação sexual se refere à atração afetivossexual por alguém. O desejo sexual pode ser por alguém do mesmo gênero, denominado assim de homossexualidade. Pode ser por alguém de gênero diferente, que é o caso da heterossexualidade. Ou por qualquer gênero, bissexualidade. Há também quem não sinta atração por nenhum gênero, chamados assexuais. A orientação sexual é independente do sexo biológico e do gênero do indivíduo.

Existem várias teorias que tentam explicar a origem da identificação de gênero. Algumas atribuem à causa biológica, outras atribuem à causa social, outras atribuem a um misto de ambas. Para a Psicologia não há veredito sobre tais causas, assim como não há nada comprovado de que transexualidade e homossexualidade se tratam de transtorno. Por isso, afirma-se que não há cura para quem não está doente, justificando a não liberação da categoria em realizar a “cura gay”.
Hoje, uma das causas de adoecimento é a normatização da identidade de gênero e sexual. Normatizar quem a pessoa deve ser por causa do sexo biológico, e ainda, como deve ser comportar, para ser aceito na sociedade. A normatização gera marginalização, exclusão, agressão física e discriminação. O Brasil é o que mais mata transexual no mundo. O trabalho da Psicologia no Brasil, enquanto Democracia, é o de diminuir desigualdades, proporcionando a inclusão, diminuindo o sofrimento humano e promovendo saúde mental.
Pessoas em sofrimento por causa de sua identidade sexual e/ou sexualidade podem e devem procurar rede de apoio. Um profissional da Psicologia, ético, se coloca a disposição para lutar pelo protagonismo de cada ser humano ser quem é, como ele se vê, em sua subjetividade.

Segue a referência que me baseou nesse texto, para quem quiser aprofundar.  
JESUS, J. G. ORIENTAÇÕES SOBRE IDENTIDADE DE GÊNERO: CONCEITOS E TERMOS: Guia técnico sobre pessoas transexuais, travestis e demais transgêneros, para formadores de opinião. 2ª Ed, online, Brasília, 2012.

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